Piadas repetidas à exaustão eu acho que não serve pra dizer que eles percebiam os remakes. Isso porque, se a gente for olhar, todo programa de comédia tem isso, de repetir a mesma piada várias vezes. Na Escolinha do Professor Raimundo, por exemplo, em todo episódio o Rolando Lero tentava enrolar o professor. Repetir piadas é uma coisa, mas repetir o mesmo roteiro várias vezes é outra.
Se os atores percebiam os remakes, pelo menos não demonstravam isso.
Dias escreveu:
Eu queria que tivessem perguntado pra vários atores pra saber qual a resposta de cada um.
Quando o Fórum entrevistou o Rubén e o Edgar, perguntaram para eles sobre os remakes.
Essa foi a resposta do Rubén:
F: A maioria dos roteiros criados por Chespirito tiveram nova versão, remakes. Don Juan Tenório, por exemplo teve mais de quatro versões. O que vocês, atores, opinavam sobre isso? (pergunta de Borges)
R: Bom, primeiro deixe-me lhe dizer que no México é uma tradição essa péssima história de Zorrilla, que se chama Don Juan Tenório. Então, o que fizeram os escritores mexicanos, muitos, foi fazer paródia, fazê-la em piada. Não fazê-la como escreveu Zorrilla, porque a que escreveu Zorrilla é muito ruim, o espanhol esse não sei em que estava pensando e a fez, porém se fez uma tradição no México de usá-la, apresentando sobretudo no teatro. A Roberto lhe ocorreu na primeira vez e saiu tão bonita, na verdade, nos saiu tão bem que o que fazíamos era repetir em novembro, que é quando se celebra essa representação de Don Juan Tenório. Sempre em novembro se repetiam os capítulos, porque deveras como escritor saiu muito bem. Havia versos muito bem feitos, que creem que foi uma obra de arte que fez Roberto e por isso se repetia a cada ano.
F: Certo. Porém, a respeito de outros episódios que tiveram outras versões, às vezes com outros atores que não estavam na primeira versão, que pensavam vocês sobre isso, de regravar esses episódios mais de uma vez?
R: Bom, se trabalhava com o pessoal que tínhamos. Se havia morrido Ramón Valdés, então o papel de... não sei o que fazia don Ramón, o fazia Jaiminho. Se Quico tinha se retirado, pois o papel de Quico era feito por outro ator. Quer dizer, sempre se supriam, porém não era necessário que fossem os mesmos atores, porque os personagens de Don Juan Tenório são muito distintos. Roberto sempre fazia Don Juan Tenório, eu sempre fazia Don Luis Mejía... Edgar Vivar fazia o Ciutti, Maria Antonieta... não, Florinda Meza fazia Dona Inês. Enfim, eram personagens da obra que podíamos mudar se tínhamos, pois, a falta de algum de nós.
E essa foi a resposta do Edgar:
FCH - Uma característica de Chaves e Chapolin é que muitos episódios tiveram mais de uma versão. Por exemplo, Don Juan Tenório teve mais de quatro versões. O que os atores opinavam sobre isso, de ter que gravar várias vezes a mesma história ao longo dos anos, mas mudando os personagens?
EV - Eu diria que é muito difícil não repetir em 25 anos. Agora você pode assistir todos os programas no Youtube, DVD e você vê os programas comprimidos. Em 25 anos, tentar fazer o programa com o mesmo nível de atuação, são muitos detalhes, tem que cuidar. E você faz Don Juan Tenório em um ano e no ano seguinte... No México é uma tradição apresentar [Don Juan Tenório]. É originalmente uma peça de teatro que se apresenta nos dias 1 e 2 de novembro, sempre, no México. E você tem várias versões, quatro ou cinco diferentes, em diferentes teatros. É tradição. Por isso também repetimos esse especialmente. Por exemplo, tem também programas como da viagem a Acapulco, que foi feito somente uma vez. Por isso quero dizer que são várias situações que você tem que pensar para fazer um programa exitoso, com bom nível, com boas atuações, tem que trabalhar muito e às vezes tem que repetir o mesmo. Mas especificamente Don Juan Tenório é por essa tradição.
Os dois falaram muito do Don Juan Tenório mas pouco dos outros remakes.
Se alguém algum dia falar com o Carlos, com a Maria ou com a Florinda, por favor perguntem a eles sobre os remakes.