Você deixaria seu filho(a) ouvir funk?

Espaço para debates sobre assuntos que não sejam relacionados a Chespirito, como cinema, política, atualidades, música, cotidiano, games, tecnologias, etc.
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Giovani Chambón
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Re: Você deixaria seu filho(a) ouvir funk?

Mensagem por Giovani Chambón » 13 Jan 2013, 23:16

RiddleKuriboh escreveu: Utópico, de fato, mas não é 100% impossivel. O problema não é o publico, eles não preferem musica ruim, só estão acostumados. As gravadoras é que preferem as ruins pois é mais facil de fazer, leva menos tempo pra lançar e vende tanto quanto musica boa.

Afinal, entre os inumeros compositores fodásticos que existem hoje em dia, o mero fato de existir uns 2 ou 3 famosos já é um raiozinho de esperança. E a nova geração tá tendo bom incentivo, parcialmente... tem Chico Buarque e Toquinho na trilha sonora de Carrossel, e as trilhas originais do SBT pra novela seguem o maior estilão de pop dos anos 90, tudo bem composto e estruturado.

Por isso creio que é completamente necessario sim influenciar nossas futuras crianças a um gosto musical bom, afinal, a proxima geração é delas.
Ainda no mesmo viés aproveito para dar um exemplo sobre as prioridades das gravadoras.
Vou usar como exemplo Andre Matos, músico brasileiro habilitado em Regência Orquestral, Composição Musical, habilitação em Canto Lírico e habilitação em Piano Erudito, cantor, compositor, maestro e pianista, sendo ex-membro das bandas de heavy metal Angra, Shaman, Viper, Virgo e Symfonia, participou do famoso metal Opera Avantasia, dentre outras coisas das quais não vou citar para não prolongar o texto.

Após sua desmembração do Angra em 2000 Andre criou com os remanescentes do Angra uma banda chamada Shaman, seguindo com suas composições lançou dois álbuns de sucesso e um DVD ao vivo. Pois bem nesse meio tempo Andre, em parceria com o alemão Sascha Paeth lançou um disco chamado Virgo.

Esse disco, em minha medíocre opinião, contem composições de altíssimo nível! Porém o trabalho é completamente diferente do desenvolvido por Andre em suas bandas anteriores (Angra, Shaman, Viper), uma formula que já se sabe que agrada o publico.

Pois bem, por ser para um publico mais restrito e não destinado a grande massa metaleira, o disco vendeu menos que os trabalhos de Matos no metal, apesar da enorme qualidade.
O que aconteceu? A gravadora não se interessou em lançar um segundo disco do projeto, deixando assim uma grande lacuna para os fãs, já que é sabido que a dupla tinha muita lenha para queimar.
A lei é essa, se não interessa a grande massa, não vale a pena ser feito.

Só para embasar, deixarei de amostra a quem apreciar, umas canções do Virgo:



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Re: Você deixaria seu filho(a) ouvir funk?

Mensagem por Riddle Snowcraft » 14 Jan 2013, 03:00

É bem por aí... só falta as gravadoras quererem re-acostumar o povo, seria ótimo se elas aguentassem ficar um tempinho sem vender até o publico se acostumar e iniciar um BOOM de musicas boas. Não me parece impossivel. Deve haver algum diretor de gravadora em algum lugar que tenha o desejo de lançar ao país um trabalho genial.
gustavolinslins escreveu:cara é uma mensagem antiga mais piada é arte sim,é a arte de fazer as pessoas rirem,de encontra o ponto comico das coisas,assim como a dublagem as pessoas ñ ligam,mais precisam muito. :garg: de rir
Ah, aí nesse caso a arte é o Humor :P
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Pro papai é santa, pra mamãe é santa
Mas na Coro city, tu vira piranha
Ela bafa o lança, depois se arreganha
Se tu quer p█████, então toma, toma

O fetiche dela é f████ na onda
Então desce uísque, vai tr█████ doidona
O fetiche dela é f████ na onda
Então desce uísque, vai tr█████ doidona

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Re: Você deixaria seu filho(a) ouvir funk?

Mensagem por Barbano » 14 Jan 2013, 08:04

Professor Baratinha escreveu:Quem leva música a serio é tão babaca quanto quem leva piada a sério. E outra, ninguém vai deixar de beber ou fazer o que for só por causa da música.
[2]

Principal papel das músicas é entretenimento. E, principalmente em festas, nada melhor que músicas animadas, como Gatinha Assanhada, Camaro Amarelo, etc, que cumprem muito bem o objetivo principal.

Mas enfim, a discussão principal do tópico não é sobre a qualidade musical do funk atual, que em sua maioria tem letras vergonhosas mesmo, e sim no fato de proibir um filho de ter gosto musical próprio... E não tem muito como controlar isso. Nessa semana na praia o que mais tocou foi o tal do Funk. E aí, vai fazer o que, impedir teu moleque de conhecer o mar? Levá-lo para uma praia deserta? Não tem como botar os filhos em uma bolha... o mundo está aí, e cedo ou tarde ele vai ouvir funk sim, como todos aqui já ouviram.

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Re: Você deixaria seu filho(a) ouvir funk?

Mensagem por Barney Stinson » 14 Jan 2013, 09:57

Professor Baratinha escreveu:Quem leva música a serio é tão babaca quanto quem leva piada a sério. E outra, ninguém vai deixar de beber ou fazer o que for só por causa da música.
Fiquei com um Q, com essa afirmação colega. Muita gente gente ganha a vida com música, isso não é sério? E sem constar o fato de que a música é um dos movimentos culturais mais abrangentes e antigos da humanidade. Desde o primeiro registro da música erudita em 1445, a música faz parte impreterível na vida dos seres humanos e é forma mais conhecida de manifestação do pensamento/sentimento humano. Escutamos música desde o momento em que estávamos na barriga da mamãe e cá estamos, cada um com sua vivência e gostos diferentes, mas ainda ouvindo música, certo?

Falar que levar música a sério é babaquice é tão pernicioso quanto dizer que matar e roubar não é crime.

Quanto ao fato do papel da "música exercer 'controle' sobre atitudes nos seres humanos", muitos estudos apontam a sua grande influência no comportamento humano, principalmente nas crianças.

Achei um artigo de grande valia para fundamentar o meu ponto de vista:

NOGUEIRA, M. A. - A música e o desenvolvimento da criança. Revista da UFG, Vol. 5, No. 2, dez 2003 on line (www.proec.ufg.br)
A presença da música na vida dos seres humanos é incontestável. Ela tem acompanhado a história da humanidade, ao longo dos tempos, exercendo as mais diferentes funções. Está presente em todas as regiões do globo, em todas as culturas, em todas as épocas: ou seja, a música é uma linguagem universal, que ultrapassa as barreiras do tempo e do espaço.

Entretanto, a forma pela qual a música, como linguagem, acontece no seio dos diferentes grupos sociais é bastante diversificada. A música que é vivenciada em uma cerimônia do Quarup, no Parque do Xingu, por exemplo, tem um caráter bastante diverso da música que colocamos no CD player do nosso carro; o mantra entoado em um templo budista, por sua vez, não apresenta a mesma função de um canto de lavadeiras do Rio São Francisco. Apesar dessas diferentes funções, em todas essas situações e em muitas outras, a música acompanha os seres humanos em praticamente todos os momentos de sua trajetória neste planeta. E, particularmente nos tempos atuais, deve ser vista como uma das mais importantes formas de comunicação: segundo o pedagogo Snyders (1992), nunca uma geração viveu tão intensamente a música como as atuais.

É exatamente para falarmos de uma das facetas dessa intensa relação que trata o texto. Será abordada, particularmente, a relação que se dá entre a música, entendida como prática e vivência, e o desenvolvimento da criança.

Inicialmente é preciso esclarecer nosso conceito de desenvolvimento. Desenvolvimento, segundo o dicionário Houaiss, é um termo que apresenta muitas acepções. Escolhemos algumas delas: “aumento de qualidades morais, psicológicas, intelectuais etc”, “crescimento, progresso, adiantamento” (HOUAISS, 2002, p. 989). No entanto, há uma tendência, em nossa civilização, de se concentrar a idéia de desenvolvimento da criança nos aspectos cognitivos, isto é, no que diz respeito ao aprendizado intelectual. É uma tendência natural em uma civilização tão competitiva e tecnicista. Em função disso, muito se tem falado a respeito do papel da música na melhoria do rendimento acadêmico de estudantes.

Nossa opção, contudo, vai pela contramão desta tendência. Entendemos que o processo de crescimento de uma criança está muito além apenas de seus aspectos físicos ou intelectuais; esse processo envolve outras questões, certamente tão complexas quanto às da maturação biológica. Dessa forma, optamos por trabalhar a idéia de desenvolvimento infantil a partir de uma abordagem mais ampla, abarcando também seus aspectos de amadurecimento afetivo e social, sem deixar de lado, obviamente, o aspecto cognitivo.


É importante fazer uma ressalva que toda criança está imersa em um caldo cultural, que é formado não só pela sua família, mas também por todo o grupo social no qual ela cresce. Nesse sentido, a forma como a música influencia o desenvolvimento de uma criança carajá, por exemplo, é muito diferente da forma como isso se dá com uma criança branca; da mesma forma, uma criança de classe média alta, que freqüenta ambientes nos quais a música é praticada de forma intensa, apresenta características bem diversas de uma criança que se vê vítima da exploração do trabalho infantil.

Obviamente nosso foco não será o de uma criança especial, de algum grupo social específico. Nossas observações levarão em consideração as pesquisas feitas na área que, na sua grande maioria tiverem como sujeitos crianças ocidentais, escolarizadas, de inteligência dita normal. Ainda que não concordemos com a idéia de um modelo de criança universal, entendemos que estas pesquisas, guardadas as devidas proporções, podem nos elucidar em muitos aspectos.

Nesse sentido, entendemos que as reflexões a serem apresentadas neste artigo, a partir de um referencial específico, podem nos auxiliar a compreendermos melhor a relação criança-música-desenvolvimento, ressaltando que as particularidades de cada grupo social merecem ser investigadas com afinco, em outros momentos, por outros autores.

A música e o desenvolvimento cognitivo da criança

Inúmeras pesquisas, desenvolvidas em diferentes países e em diferentes épocas, particularmente nas décadas finais do século XX, confirmam que a influência da música no desenvolvimento da criança é incontestável. Algumas delas demonstraram que o bebê, ainda no útero materno, desenvolve reações a estímulos sonoros.

Schlaug, da Escola de Medicina de Harvard (EUA), e Gaser, da Universidade de Jena (Alemanha), revelaram que, ao comparar cérebros de músicos e não músicos, os do primeiro grupo apresentavam maior quantidade de massa cinzenta, particularmente nas regiões responsáveis pela audição, visão e controle motor (apud SHARON, 2000). Segundo esses autores, tocar um instrumento exige muito da audição e da motricidade fina das pessoas. O que estes autores perceberam, e vem ao encontro de muitos outros estudos e experimentos, é que a prática musical faz com que o cérebro funcione “em rede”: o indivíduo, ao ler determinado sinal na partitura, necessita passar essa informação (visual) ao cérebro; este, por sua vez, transmitirá à mão o movimento necessário (tato); ao final disso, o ouvido acusará se o movimento feito foi o correto (audição). Além disso, os instrumentistas apresentam muito mais coordenação na mão não dominante do que pessoas comuns. Segundo Gaser, o efeito do treinamento musical no cérebro é semelhante ao da prática de um esporte nos músculos. Será por isso que Platão já afirmava, há tantos séculos, que a música é a ginástica da alma?

Outros estudos apontam também que, mesmo se o contato com a música for feito por apreciação, isto é, não tocando um instrumento, mas simplesmente ouvindo com atenção e propriedade (percebendo as nuances, entendendo a forma da composição), os estímulos cerebrais também são bastante intensos.

Ao mesmo tempo que a música possibilita essa diversidade de estímulos, ela, por seu caráter relaxante, pode estimular a absorção de informações, isto é, a aprendizagem. Losavov, cientista búlgaro, desenvolveu uma pesquisa na qual observou grupos de crianças em situação de aprendizagem, e a um deles foi oferecida música clássica, em andamento lento, enquanto estavam tendo aulas. O resultado foi uma grande diferença, favorável ao grupo que ouviu música. A explicação do pesquisador é que ouvindo música clássica, lenta, a pessoa passa do nível alfa (alerta) para o nível beta (relaxados, mas atentos); baixando a ciclagem cerebral, aumentam as atividades dos neurônios e as sinapses tornam-se mais rápidas, facilitando a concentração e a aprendizagem (apud OSTRANDER e SCHOEDER, 1978).

Outra linha de estudos aponta a proximidade entre a música e o raciocínio lógico-matemático. Segundo Schaw, Irvine e Rauscher (apud CAVALCANTE, 2004) pesquisadores da Universidade de Wisconsin, alunos que receberam aulas de música apresentavam resultados de 15 a 41% superiores em testes de proporções e frações do que os de outras crianças. Em outra investigação, Schaw verificou que alunos de 2a. série que faziam aulas de piano duas vezes por semana, apresentaram desempenho superior em matemática aos alunos de 4 ª série que não estudavam música.

Enfim, o que se pode concluir a esse respeito é que efetivamente a prática de música, seja pelo aprendizado de um instrumento, seja pela apreciação ativa, potencializa a aprendizagem cognitiva, particularmente no campo do raciocínio lógico, da memória, do espaço e do raciocínio abstrato.

A música e o desenvolvimento afetivo

Um outro campo de desenvolvimento é o que lida com a afetividade humana. Muitas vezes menosprezado por nossa sociedade tecnicista, é nele que os efeitos da prática musical se mostram mais claros, independendo de pesquisas e experimentos. Todos nós que lidamos com crianças percebemos isso. O que tem mudado é que agora estes efeitos têm sido estudados cientificamente também.

Em pesquisa realizada na Universidade de Toronto, Sandra Trehub (apud CAVALCANTE, 2004) comprovou algo que muitos pais e educadores já imaginavam: os bebês tendem a permanecer mais calmos quando expostos a uma melodia serena e, dependendo da aceleração do andamento da música, ficam mais alertas.

Nossas avós também já sabiam que colocar um bebê do lado esquerdo, junto ao peito, o deixa mais calmo. A explicação científica é que nessa posição ele sente as batidas do coração de quem o está segurando, o que remete ao que ele ouvia ainda no útero, isto é, o coração da mãe. Além disso, a eficácia das canções de ninar é prova de que música e afeto se unem em uma mágica alquimia para a criança. Muitas vezes, mesmo já adultos, nossas melhores lembranças de situação de acolhimento e carinho dizem respeito às nossas memórias musicais. Já presenciamos vivências em grupos de professores que, a princípio, não apresentavam memórias de sua primeira infância. Ao ouvirem certos acalantos, contudo, emocionaram-se e passaram a relatar situações acontecidas há muito tempo, depois confirmadas por suas mães.

Por todas essas razões, a linguagem musical tem sido apontada como uma das áreas de conhecimentos mais importantes a serem trabalhadas na Educação Infantil, ao lado da linguagem oral e escrita, do movimento, das artes visuais, da matemática e das ciências humanas e naturais. Em países com mais tradição que o Brasil no campo da educação da criança pequena, a música recebe destaque nos currículos, como é o caso do Japão e dos países nórdicos. Nesses países, o educador tem, na sua graduação profissional, um espaço considerável dedicado à sua formação musical, inclusive com a prática de um instrumento, além do aprendizado de um grande número de canções. Este é, por sinal, um grande entrave para nós: o espaço destinado à música em grande parte dos currículos de formação de professores é ainda incipiente, quando existe. É preciso investir significativamente na formação estética (e musical, particularmente) de nossos professores, se realmente quisermos obter melhores resultados na educação básica.

Ainda abordando os efeitos da música no campo afetivo, estudos recentes ampliam ainda mais nosso conhecimento a respeito. Zatorre, da Universidade de McGill (Canadá) e Blood, do Massachusetts General Hospital (EUA), desenvolveram uma pesquisa que buscou analisar os efeitos no cérebro de pessoas que ouviam músicas, as quais segundo as mesmas lhes causavam profunda emoção. Verificou-se que ao ouvir estas músicas, as pessoas acionaram exatamente as mesmas partes do cérebro que têm relação com estados de euforia. Segundo esses autores, isso confere à música uma grande relevância biológica, relacionando-a aos circuitos cerebrais ligados ao prazer (2001).

Há também inúmeras experiências na área de saúde, trabalhos em hospitais que utilizam a música como elemento fundamental para o controle da ansiedade dos pacientes. A origem deste trabalho remonta à 2a. Guerra Mundial, quando músicos foram contratados para auxiliar na recuperação de veteranos de guerra por hospitais norte-americanos. Pode-se afirmar que esse foi um grande impulso para a área de musicoterapia, hoje com reconhecimento acadêmico consolidado. É cada vez mais comum a presença da música nestes locais, seja para diminuir a sensação de dor em pacientes depois de uma cirurgia, junto a mulheres em trabalho de parto (para estimular as contrações) ou na estimulação de pacientes com dano cerebral. Nesse sentido, não é exagero afirmar que os efeitos da música sobre os sentimentos humanos estão, cada vez mais, migrando da sabedoria popular para o reconhecimento científico.

A música e o desenvolvimento social da criança

A música também traz efeitos muito significativos no campo da maturação social da criança. É por meio do repertório musical que nos iniciamos como membros de determinado grupo social. Por exemplo: os acalantos ouvidos por um bebê no Brasil não são os mesmos ouvidos por um bebê nascido na Islândia; da mesma forma, as brincadeiras, as adivinhas, as canções, as parlendas que dizem respeito à nossa realidade nos inserem na nossa cultura.

Além disso, a música também é importante do ponto de vista da maturação individual, isto é, do aprendizado das regras sociais por parte da criança. Quando uma criança brinca de roda, por exemplo, ela tem a oportunidade de vivenciar, de forma lúdica, situações de perda, de escolha, de decepção, de dúvida, de afirmação. Fanny Abramovich, em memorável artigo, afirma:

Ò ciranda –cirandinha, vamos todos cirandar, uma volta, meia volta, volta e meia vamos dar, quem não se lembra de quando era pequenino, de ter dados as mãos pra muitas outras crianças, ter formado uma imensa roda e ter brincado, cantado e dançado por horas? Quem pode esquecer a hora do recreio na escola, do chamado da turma da rua ou do prédio, pra cantarolar a Teresinha de Jesus, aquela que de uma queda foi ao chão e que acudiram três cavalheiros, todos eles com chapéu na mão? E a briga pra saber quem seria o pai, o irmão e o terceiro, aquele pra quem a disputada e amada Teresinha daria, afinal, a sua mão? E aquela emoção gostosa, aquele arrepio que dava em todos, quando no centro da roda, a menina cantava: “sozinha eu não fico, nem hei de ficar, porque quero o ...(Sérgio? Paulo? Fernando? Alfredo?) para ser meu par”. E aí, apontando o eleito, ele vinha ao meio pra dançar junto com aquela que o havia escolhido... Quanta declaração de amor, quanto ciuminho, quanta inveja, passava na cabeça de todos.


(1985, p. 59).

Essas cantigas e muitas outras que nos foram transmitidas oralmente, através de inúmeras gerações, são formas inteligentes que a sabedoria humana inventou para nos prepararmos para a vida adulta. Tratam de temas tão complexos e belos, falam de amor, de disputa, de trabalho, de tristezas e de tudo que a criança enfrentará no futuro, queiram seus pais ou não. São experiências de vida que nem o mais sofisticado brinquedo eletrônico pode proporcionar.

Mais tarde, já às voltas com as dores e as delícias do adolescer, ainda uma vez a música tem papel de destaque. Sem sombra de dúvida, a música é uma das formas de comunicação mais presente na vida dos jovens. Inúmeras vezes, é por meio da canção que temáticas importantes na inserção social desse jovem, não mais como criança, mas agora como preparação para a vida adulta, lhe são apresentadas. Como exemplo, temos os videoclipes que apresentam a jovens de classe média a dura realidade do racismo, da vida nas periferias urbanas e que podem ser utilizados por pais e educadores como forma de estabelecer um diálogo, uma porta para a construção da consciência cívica.

À guisa de conclusão, faremos agora uma breve reflexão sobre como podem os pais e adultos que se incumbem da educação de crianças agir em relação à sua formação musical. Comecemos, portanto, do útero. Como já foi dito, fetos reagem a estímulos sonoros externos e, portanto, deve ser benéfico que a mãe possa, ela mesma, desenvolver atividades musicais. Se você teve a oportunidade de aprender um instrumento musical, pratique-o muito durante a gravidez. Caso não seja esse o seu caso, cante bastante, pois esse instrumento – a voz – está bem aí ao seu alcance: utilize-o, entre para um coral, aprenda cantigas de ninar, cante no banheiro!

Além de cantar, ouça também boa música. Aproveite esse período para ficar a par de boas produções musicais para criança. Muitos pais reclamam, com razão, do lixo musical que infesta os grandes meios de comunicação. Contudo, há um razoável número de CDs de boa qualidade, voltado para o público infantil, como por exemplo, toda a obra de Bia Bedran, a Coleção Palavra Cantada, entre outros. Vale a pena buscar aqueles discos de vinil que fizeram sua alegria quando pequena (Saltimbancos, Arca de Noé, Coleção Disquinho), pois a maior parte deles já se encontra remasterizada para CD. Se você se dispuser a formar um pequeno acervo, não se preocupe com o lixo que seu filho ouvirá lá fora: oferecendo outras alternativas, dentro de casa, certamente ele terá meios para uma escolha mais crítica.

Mais tarde, depois do nascimento, faça dos momentos junto ao bebê momentos de puro prazer: cante enquanto lhe dá banho, faça brincadeiras ritmadas na troca de fralda, toque seu corpo ao ritmo da canção. E, principalmente, não abra mão das cantigas de ninar. Esqueça a conversa de que isso “põe a criança mimada”: atualmente, pediatras são unânimes em estimular esse contato. Lembre-se: criança quieta, que dorme sozinha, que não reclama companhia, nem sempre é sinônimo de criança feliz. Muitas vezes, o bebê super independente de agora, poderá vir a ser o adulto carente de amanhã.

Caso você sinta necessidade, procure serviços especializados na musicalização de bebês. Busque informações sobre os profissionais envolvidos, assista a algumas aulas, certifique-se do tipo de trabalho desenvolvido. Mas lembre-se: não busque por aceleração de aprendizagem, pela formação precoce de virtuoses. Tenha em foco apenas a possibilidade de momentos prazerosos e estimulantes para seu bebê. Todo o resto, que poderá vir a acontecer ou não, será lucro.

Mais tarde, por volta dos quatro, cinco anos, é comum os pais se perguntarem se não estará na hora de aprender um instrumento. É importante saber que o processo de musicalização deve anteceder o aprendizado de um instrumento específico. Em geral, as boas escolas de música desenvolvem um trabalho anterior, de vivência e sensibilização musical, para depois, quando a criança já se encontra alfabetizada, iniciar as aulas de instrumento e de leitura musical. Se esse for o seu interesse, vá em frente; caso não o seja, insista para que na escola de seu filho a música tenha espaço no currículo. Esse espaço não significa necessariamente uma aula específica de música: no caso da educação infantil, essa fragmentação do trabalho pedagógico nem é a mais indicada pelas tendências educativas mais sólidas. Esse espaço pode ser concretizado mesmo nas atividades de rotina, no repertório utilizado, nas brincadeiras musicais, na freqüência a eventos promovidos pela escola. Por outro lado, a presença de um professor especialista, um licenciado em música, pode potencializar um trabalho de qualidade, na parceria com os demais educadores: o importante é que esse trabalho não seja artificial, isolado do projeto pedagógico como um todo.

Por fim, dois lembretes: 1) todas essas atividades e preocupações, desde os embalos para ninar até a verificação do trabalho musical da escola são da responsabilidade de mães e pais, sem exceção; 2) não descuide do repertório. Isso pode parecer difícil, mas tente utilizar a mesma tática da boa alimentação: um fast food, de vez em quando, não faz mal a ninguém, desde que a nutrição básica seja feita por meio de uma dieta balanceada, rica em verduras, frutas, cereais e proteínas. Da mesma forma, os malefícios de se ouvir música descartável na TV podem ser minimizados se, em casa, você “nutrir” os ouvidos e cérebros de seus filhos com música rica, estimulante e de boa qualidade.

Autora

1 Doutora em Educação pela Universidade de São Paulo – USP. Profª. Adjunta da Faculdade de Educação da UFG.

Referências bibliográficas

ABRAMOVICH, F. Quem educa quem? 5a. ed. São Paulo: Summus, 1985.

CAVALCANTE, R. Música na cabeça. In: http://www.habro.com.br, acessado em 10 de fevereiro de 2004.

HOUAISS. Dicionário Houaiss de língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.

OSTRANDER, L. e SCHOEDER, L. Super-aprendizagem pela sugestologia. Rio de Janeiro: Record, 1978.

SHARON, B. A música na mente. Revista Newsweek, 24/07/2000.

SNYDERS, G. A escola pode ensinar as alegrias da música? São Paulo: Cortez, 1992.

ZATORE e BLOOD. Música tem o mesmo endereço que sexo e comida em nosso cérebro. In: http://www.prometeu.com.br, acessado em 01 de outubro de 2001.

Disponível em: http://www.proec.ufg.br/revista_ufg/inf ... usica.html Acesso em 14 jan 2013.
[/spoiler]
É longo, mas vale à pena ler.
Sem mais, concluo meu raciocínio. :joinha:
Fui embora morar com budistas, beijos!

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Re: Você deixaria seu filho(a) ouvir funk?

Mensagem por Furtado » 14 Jan 2013, 11:54

O Baratinha quis dizer que não pode se pode levar tão a sério as músicas, por exemplo, aqueles doidos que tentam achar mensagem subliminar em tudo. Concordo com o Fabão, música é entretenimento.
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Re: Você deixaria seu filho(a) ouvir funk?

Mensagem por João Pedro » 14 Jan 2013, 13:12

Para pessoas normais, música é entretenimento, é uma coisa para se divertir, mas há gente que leva isso a sério, pois é a forma de ganhar a vida. A música é um negócio do entretenimento como cinema, televisão, esportes, dentre outros.

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Re: Você deixaria seu filho(a) ouvir funk?

Mensagem por Barney Stinson » 14 Jan 2013, 14:53

Seu Furtado escreveu:O Baratinha quis dizer que não pode se pode levar tão a sério as músicas, por exemplo, aqueles doidos que tentam achar mensagem subliminar em tudo. Concordo com o Fabão, música é entretenimento.
Chegou a ler o artigo que postei? Se lesse, entenderia plenamente que música é tão importante quanto comer pra não morrer de fome!
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Re: Você deixaria seu filho(a) ouvir funk?

Mensagem por Furtado » 14 Jan 2013, 16:01

Barney Stinson escreveu:
Seu Furtado escreveu:O Baratinha quis dizer que não pode se pode levar tão a sério as músicas, por exemplo, aqueles doidos que tentam achar mensagem subliminar em tudo. Concordo com o Fabão, música é entretenimento.
Chegou a ler o artigo que postei? Se lesse, entenderia plenamente que música é tão importante quanto comer pra não morrer de fome!
Mas será que você não entende? Música é coisa séria sim, mas para os MÚSICOS, que tem o seu ganha-pão nisso. Como o João Pedro disse, para pessoas comuns música é apenas entretenimento. Eu por exemplo consigo ficar um dia inteiro se escutar uma música, apesar de gostar, não me não faz falta.
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Re: Você deixaria seu filho(a) ouvir funk?

Mensagem por Bgs » 14 Jan 2013, 18:22

Bom, se a música realmente influencia no comportamento humano, não é recomendável que as pessoas ouçam Metal. Uma pesquisa interessante publicada no G1:
50% das músicas de metal tratam de assassinato, diz pesquisa
Uma pesquisa feita na Rússia com 700 músicas populares de heavy metal revelou que o conteúdo das letras passa primordialmente por assassinato, satanismo e suicídio.

O trabalho, conduzido pelo Centro de Pesquisa Serbsky para Psiquiatria Social e Forense, concluiu que 50% das faixas versa sobre homicídio. Em segundo lugar, vêm diversas ideologias satanistas, com 35%. Suicídio é tema principal em 7% do total. As informações foram publicadas pela agência de notícias russas Interfax.

O professor Fyodor Kondratyev, responsável pela pesquisa, disse que, segundo a Associação de Educação Nacional Norte-Americana, 6.000 jovens norte-americanos morrem ao ano por influência de faixas do gênero.

Kondratyev disse que o metal é popular entre jovens pertencentes a famílias problemáticas, que procuram "uma vingança contra a sociedade". O professor afirmou que há cinco grandes grupos de satanistas só em Moscou atualmente, com um total de 1.000 membros, e disse que nos últimos cinco anos 20 pessoas foram assassinadas em rituais.

Em outubro de 1984, o cantor Ozzy Osbourne foi acusado pelos pais de um garoto que se suicidou depois de escutar a música "Suicide solution". Ozzy foi inocentado pela Justiça.

http://g1.globo.com/Noticias/Musica/0,, ... QUISA.html
E já que estão apresentando textos... :P este aqui é bem bacana, do blog Recortes Críticos:
"Com relação a todo tipo de festividade, a posição anti-individualista é tão comum que, num primeiro momento, o baile funk pode se tornar um ritual bastante óbvio (...) o funk carioca seria um bom motivo para questionarmos a ideia de um princípio de individuação dominante nas sociedades complexas (...) é óbvio que sendo puro gasto de energia, a festa pode contrariar o espírito do capitalismo” Hermano Vianna


Estigmatizado e marginalizado cotidianamente como gênero musical de apologia à criminalidade e culto desmedido à pornografia, o verdadeiro movimento "funk" constitui legítima expressão cultural-popular de qualidades e possibilidades muito superiores à visão preconceituosa explorada exaustivamente pela grande mídia.


Ao contrário do que se propaga, o funk responsável promovido em muitas comunidades populares e suburbanas tem na crítica social e política a sua mais forte raiz, merecendo reconhecimento e visibilidade como produto cultural brasileiro que precisa de apoio, divulgação e, sobretudo, respeito.


Pensar o funk pela embaçada lente do que é literalmente vendido pela grande imprensa, mormente em hilários tempos de disputa de "igrejas" no ambicioso mercado na comunicação (Globo X Record), é algo que definitivamente só interessa aos inimigos dos direito à expressão, lazer e cultura popular: todos direitos humanos fundamentais.


Discriminar o funk pelos “proibidões”, estes sim espaços corrompidos, usurpados e tolerantes com a violência e a criminalidade, inclusive no campo sexual e de gênero, também não é algo que se conceba como atitude aceitável. Reduzir o funk ao crime é fazer generalização indevida, punir muitos pelos desvios de poucos, negar direito a expressão cultural, tolher mecanismo de estímulo à consciência crítica, arbitrariedade que só interessa a quem desejar manter tudo exatamente como está, permanecendo devidamente diluídas as identidades...


Por outro lado, mesmo no funk que excede o campo social para o tema monolítico da excessiva e banalizante pornografia, é absolutamente supérfluo falar em ofensa à “moralidade” em tempos cruéis de falta (e incompreensão) de mínima "ética" de parte de muitas “autoridades constituídas”, estejam suas "cabeças" no Senado ou mesmo na Presidência do Supremo Tribunal Federal. Falar em pornografia no funk quando a publicidade brasileira e os meios de comunicação são seus maiores patrocinadores, também não deixa de ser um grande e paradoxal contra-senso.



Relação com a criminalidade, com a violência, com tráfico de drogas são expressões doentias difusas na sociedade contemporânea em todos os seus segmentos, ora com origem no Estado, ora com origem (e patrocínio) nas classes ditas mais abastadas, algo, portanto, muito distante de ser privilégio de um determinado gênero musical...


Nesse contexto, uma pena pensar que justamente o Rio de Janeiro, terra natal do funk tupiniquim, na sua temporária compulsão paranóica por mais “choques de ordem” e enfrentamentos patrocinados pelos governantes de plantão, permita a vigência da Lei Estadual n. 5.265/08, de autoria de ninguém mais ninguém menos do que o ex-Chefe da Polícia Civil fluminense, ex-Deputado Estadual, Álvaro Lins (PMDB/RJ), parlamentar cassado e acusado de envolvimento com atividades e instâncias criminosas. Consultar este específico registro parlamentar é presenciar desmedidas e irrazoáveis exigências para autorizar um baile funk (tratamento acústico, câmeras, antecedência mínima de 30 dias, etc), prova (nada simbólica) de como a seletividade e o etiquetamento podem migrar do crime para a música...Curioso mesmo é imaginar que as festas populares dos morros possam ser cerceadas quando não praticamente impedidas por requisitos desproporcionais que muitas baladas da Zona Sul carioca não conseguiriam atender.


Em plena democracia, certamente há quem queira manter o funk como produto marginal dissociado da legalidade, tipo musical exótico preso ao cotidiano supostamente frívolo e trivial dos (e para os) pobres, especialmente quando já se denuncia que muitos empresários-Djs-produtores têm lucrado e feito a sua verdadeira e particular festa com a exploração do talento alheio, tudo à revelia e indiferença da mesma indústria fonográfica que, claro, faz ouvidos moucos para esta verdadeira e nociva prática de “pirataria”, mais uma obra da cegueira (Saramago) que fica no campo do invisível.

Por mais que a Constituição da República (artigo 215), diga que o Estado deve garantir a todos o acesso a fontes de cultura e o pleno exercício dos direitos dela decorrentes, a real negativa do comando constitucional folha de papel (Lassale) se faz não só pelo orçamento inexpressivo dedicado aos pequenos projetos sociais da área, como, também, pelo preconceito e por uma visão equivocadamente estereotipada. Promover cultura popular no Brasil é, como ensina Humberto Gessinger, lutar na terra de gigantes, onde ainda se trocam vidas por diamantes, onde a liberdade continua sendo nada mais do que uma banda, numa propaganda de refrigerantes (ou quem sabe de telefonia celular...). Para fugir do tom, ficamos à espera das revoltas e das conquistas da juventude (que, vale dizer, precisam ir muito além, aliás, de um movimeto simples, arquitetado, descafeinado (Baudrillard), quase artificial "Fora Sarney", especialmente quando sabemos que o problema e a rede de "interesses" exige que se vá muito mais longe).


Sendo assim, não se há de ter dúvida que qualquer ritmo ou gênero musical capaz de questionar a (des) ordem estabelecida é passível de ser francamente excluído das rádios, das leis, das festas, dos bailes, quando não do acesso popular...que o diga o funk carioca de hoje...(que o diga o rap que denuncia a barbárie do sistema de execução penal, máquina de desigualdades).


Assim, antes da utilização indevida do aparato repressor policial para cercear cultura, apostar no funk pode ser o caminho para maior emancipação política, quando não palco de luta por maior cidadania e dignidade para as comunidades. Como bem diz acertadamente o parlamentar carioca Marcelo Freixo (PSOL/RJ), Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ), o que torna uma sociedade mais segura é a capacidade que a sociedade tem de garantir uma cultura de direitos.

Afinal, é de se perguntar, que tanto medo os políticos, a elite e os governantes tem com a força cultural e do funk como instrumento artístico e musical de luta e engajamento por maior Justiça Social? Será que a Polícia de hoje serve de cera aos ouvidos para que todos fujam do encanto das sereias? (Homero-Ilíada)?

Quem sabe a roda de funk, com todas as mutações sofridas dos anos 80 até hoje, não possa ser um espaço para resgatar a crítica social, a boa Política que permita crer na democracia substancial, que viabilize a cobrança legítima e a disposição para a fiscalização que tanto tem faltado à sociedade brasileira...

Quem quiser conferir e ter acesso a uma visão plural, livre e democrática do funk, recomendo uma visita na APAFUNK - Associação dos Profissionais e Amigos do Funk: http://apafunk.blogspot.com/.

Conhecer a rica visão de Hermano Paes Vianna Junior no seu excepcional estudo sobre o baile e o mundo Funk Carioca também vale a pena. Quem quiser ir mais longe, como sugere o próprio Hermano na abertura do seu livro, pode começar a compreender o funk como “festa” na descrição de Durkheim, combinado de aproximação de distâncias, transgressões sociais e efervescência coletiva. Depois disso, que tal continuar a diversão da pesquisa encontrando a filosofia crítica de Nietzsche, que sempre alertou para o perigo de um dia sem dança, de uma vida sem música, do risco de uma verdade enunciada desacompanhada de uma boa risada? Para quem ainda desejar ampliar as conexões, quem sabe Marcuse não possa ajudar para mostrar que, a contrario sensu, a “indústria cultural” do funk vai longe da homogeneização reinante, podendo ser um estímulo para demonstrar o poder das massas, a força do coletivo...?


Se tiver de haver polêmica sobre o funk como produto cultural, que esta passe longe da abusiva intervenção policial, do contrário, goste-se ou não, qualquer semelhança com a ditadura e a MPB não será simples e mera coincidência...Se o funk servir para não deixar ninguém parado na luta subversiva por maior igualdade social, na construção da crítica sociopolítica, já está mais do que na hora de começarmos a apoiar o batidão...(ter o que reinvidicar é tudo o que não falta ao povo brasileiro; talvez já tenha passado a hora de entramos no ritmo).


Por essas e outras que muitos que querem calar o funk são seguidores, quando não descendentes, daqueles que lutavam contra o batuque que vinha da senzala (Adriana Facina), os mesmos que, poucos anos atrás, ainda usavam a farda e o medo para combater a democracia repensada a partir de uma noção mais holística, menos doentiamente egoísta...


Foram quase quatro séculos de escravidão, mais de duas décadas de ditadura, e ainda estamos em busca de liberdade para ser, pensar e ouvir, enfim, sair do individual para o coletivo, contemplar nova "lua" de oportunidades...


E quem insistir em não deixar o funk tocar... que se toque!
Enfim, é muita generalização.
#BgsDNV?
- criação do sub-fórum Espaço Kids: livre postagem de manifestações de apoio ao candidato Jair Bolsonaro
- criação do Fórum Privilegiado: fim das relações diplomáticas com o outro fórum a não ser que haja fusão
- revitalização do mini-chat: o mini-chat vai voltar pra home e todos os candidatos a moderação serão submetidos a uma sabatina ao vivo na plataforma
- fim do puxa saquismo: banimento do usuário Ramyen
- fim da dublagem Maga no Multishow: todos os episódios das séries Chaves e Chapolin serão imediatamente redublados (clipes inclusos)
- fim do privilégio na administração: votos de moderadores terão o mesmo peso que o de administradores em votações internas
- fim dos debates chatos: os debates para a moderação serão organizados por Fabio em uma gincana de #afazendaconectada
- fim da mamata (spoiler: ela vai acabar): moderadores que tiverem posturas autoritárias serão punidos da mesma forma com que se punem usuários comuns
- criação do mandato colaborativo: a moderação não pode ser de 1 usuário, dessa forma, propostas e ideias poderão ser apresentadas num tópico específico. As postagens que tiverem mais respostas ou curtidas serão levadas imediatamente a votação na Politura.
- legalização do flood: chega de critérios autoritários para definir o que é o que não é útil.

#BgsDNV, quem conhece confia! :campeao:
coligação pela renovação do FCH

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Re: Você deixaria seu filho(a) ouvir funk?

Mensagem por Professor Baratinha » 14 Jan 2013, 22:09

Barney Stinson escreveu:
Fiquei com um Q, com essa afirmação colega. Muita gente gente ganha a vida com música, isso não é sério? E sem constar o fato de que a música é um dos movimentos culturais mais abrangentes e antigos da humanidade. Desde o primeiro registro da música erudita em 1445, a música faz parte impreterível na vida dos seres humanos e é forma mais conhecida de manifestação do pensamento/sentimento humano. Escutamos música desde o momento em que estávamos na barriga da mamãe e cá estamos, cada um com sua vivência e gostos diferentes, mas ainda ouvindo música, certo?

Falar que levar música a sério é babaquice é tão pernicioso quanto dizer que matar e roubar não é crime.

Esse "levar a sério" que eu disse, é literalmente querer fazer tudo o que o seu cantorzinho favorito diz nas letras.

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Re: Você deixaria seu filho(a) ouvir funk?

Mensagem por Giovani Chambón » 16 Jan 2013, 17:47

Professor Baratinha escreveu:
Barney Stinson escreveu:
Fiquei com um Q, com essa afirmação colega. Muita gente gente ganha a vida com música, isso não é sério? E sem constar o fato de que a música é um dos movimentos culturais mais abrangentes e antigos da humanidade. Desde o primeiro registro da música erudita em 1445, a música faz parte impreterível na vida dos seres humanos e é forma mais conhecida de manifestação do pensamento/sentimento humano. Escutamos música desde o momento em que estávamos na barriga da mamãe e cá estamos, cada um com sua vivência e gostos diferentes, mas ainda ouvindo música, certo?

Falar que levar música a sério é babaquice é tão pernicioso quanto dizer que matar e roubar não é crime.

Esse "levar a sério" que eu disse, é literalmente querer fazer tudo o que o seu cantorzinho favorito diz nas letras.
Ahhhh, você não foi claro quanto a isso, agora sim faz sentido! Concordo com você que isso sim é babaquice :[
Agora vamos curtir um pouco de Perla :)

Pena ela ter sido uma artista de um único hit, tava muito melhor que muita coisa que há hoje..
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Re: Você deixaria seu filho(a) ouvir funk?

Mensagem por Rafinha » 05 Abr 2013, 00:58

Para quem acha que funk e educação não combinam:

:[
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Re: Você deixaria seu filho(a) ouvir funk?

Mensagem por Barney Stinson » 05 Abr 2013, 04:44

Rafinha escreveu:Para quem acha que funk e educação não combinam:

:[
Sério, eu espancava esse "professor". Eu sou do tempo que as professoras davam aula com músicas do Foo Fighters, Guns (ensinando as slangs e diferenças do vocábulo :vamp:), Legião Urbana e Capital Inicial.
Fui embora morar com budistas, beijos!

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Re: Você deixaria seu filho(a) ouvir funk?

Mensagem por Rafinha » 05 Abr 2013, 18:46

Esse professor além de talento para dar aula, tem para ser compositor e comediante. :[

Mais de 200 mil compartilhamentos desse vídeo.
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Re: Você deixaria seu filho(a) ouvir funk?

Mensagem por Victor235 » 11 Set 2015, 00:41

Resgatando este tópico pois podemos centrar as discussões sobre funk "adulto" aqui, já que o outro é só sobre funkeiros mirins.

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Imagem

A dupla Junior & Gustavo foi detida na madrugada de segunda-feira durante um show por supostamente, segundo a PM, fazer apologia às drogas. Acontece que a dupla, que se apresentava na exposição agropecuária de Macuco, na região serrana do estado do Rio, estava na verdade cantando um funk quando foram interrompidos pela polícia. O funk em questão era o “Rap da Felicidade”, clássico do gênero. A própria prefeitura da cidade ficou sem entender a atitude da polícia e apoiou a dupla. O prefeito chegou inclusive a acompanhá-los até a delegacia.

Não é a primeira vez que a dupla é autuada por cantar funk em uma de suas apresentações. Em outro show em Nova Friburgo, um episódio similar já havia ocorrido. A coincidência: o batalhão responsável pela segurança das duas cidades é o mesmo. Houve, inclusive, uma orientação da PM para que não fossem interpretadas canções do gênero “funk” nos shows. Orientação um tanto quanto fascista, né?
BLOGNEJO

Interessante que a própria música que fez a dupla ser detida diz:
"Diversão hoje em dia nem pensar
Pois até lá nos bailes eles vem nós humilhar"
"Se aproveitaram da minha astúcia" - VELOSO, Caetano

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