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Re: Notícias e Debates sobre o Rio de Janeiro
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MensagemEnviado: 27 Dez 2016, 19:13 
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Re: Notícias e Debates sobre o Rio de Janeiro
MensagemEnviado: 01 Jan 2017, 18:15 
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http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2017/01/01/crivella-quer-plano-contra-arrastao-e-pente-fino-em-contratos-de-paes.htm



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Antes mesmo de tomar posse, o novo prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), assinou 78 decretos sinalizando os rumos de sua gestão da prefeitura.

Marcelo Crivella cortou pela metade (de 24 para 12) o número de secretarias municipais e estabeleceu duas metas para o início do seu governo : cortar 50% do gasto da administração municipal com funcionários comissionados e 25% do gasto com contratos em vigor.

Os dois objetivos constam de dois dos decretos assinados por Marcelo Crivella e publicados em edição extra do Diário Oficial do Município.

Horas depois da divulgação das medidas, Marcelo Crivella foi oficialmente empossado prefeito em cerimônia realizada na Câmara dos Vereadores.

Em seu discurso, o novo prefeito pregou rígido controle de gastos : "é proibido gastar", disse ele aos seus secretários, que o acompanharam na posse.

Os decretos assinados por Marcelo Crivella também colocaram a cidade do Rio de Janeiro em situação de alerta contra a dengue, zika e chicungunya.

Determinaram ainda a elaboração de plano para contenção de arrastões em praias e enchentes causadas por chuvas.

Além disso, o novo prefeito suspendeu o polêmico processo de racionalização das linhas de ônibus do Rio de Janeiro.

Marcelo Crivella também isentou motociclistas do pagamento de pedágio na Linha Vermelha, avenida expressa que corta a zona oeste do Rio.

O novo prefeito determinou a realização de auditorias para verificar ações da gestão do agora ex-prefeito Eduardo Paes (PMDB).

Marcelo Crivella quer um pente-fino nas folhas de pagamento dos funcionários do município. Também pediu à Controladoria Municipal uma análise sobre a legalidade dos contratos firmados durante a gestão Paes sem a realização de licitações.

Veja abaixo as principais medidas tomadas por Crivella por áreas de interesse :

Reorganização da prefeitura : Marcelo Crivella extinguiu as secretarias de Administração, Parcerias Público-Privadas, Turismo e outras. A prefeitura, que tinha 24 secretarias, passa a ter 12 secretarias.

Gastos e arrecadação : o prefeito determinou a criação de um plano para redução de 25% dos custos dos contratos da prefeitura. Também determinou a realização de um projeto para aumentar a arrecadação do município sem aumentar a alíquota de impostos. Marcelo Crivella também determinou que a Secretaria de Fazenda prepare a renegociação da dívida do município. Marcelo Crivella ainda publicou um decreto com normas para execução do Orçamento de 2017 dando atenção especial a pagamentos assumidos na gestão passada.

Funcionalismo : Marcelo Crivella exonerou todos os funcionários não concursados nomeados para cargos de confiança, exceto os da Secretaria de Saúde. Também determinou a criação de um plano para redução do custo desses funcionários ao município e cortou em 50% o valor das gratificações pagas a servidores que cumprem funções especiais. Marcelo Crivella ainda determinou que nomeações de comissionados sejam feitas após prévia aprovação de órgão de controle. Além disso, determinou que servidores da prefeitura cedidos a outros órgão retornem a seus postos de origem e determinou a criação de um plano de controle do nepotismo na administração municipal.

Planos para o verão : Marcelo Crivella determinou a criação de planos para prevenção de enchentes no início do ano, para a prevenção de arrastões nas praias e para a organização do Carnaval. Colocou o município em situação de alerta por conta dengue, zika e chicungunya.

Saúde : Marcelo Crivella determinou a criação de um plano para reduzir as filas da rede pública de saúde do Rio e para aumentar em 20% o número de leitos em hospitais públicos da cidade. Marcelo Crivella ainda determinou a realização de um estudo para criação de clínicas públicas para atendimento de saúde especializado e para contratação de médicos especialistas. Além disso, Marcelo Crivella quer estudos sobre a municipalização de 16 UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento) estaduais em funcionamento no Rio. O novo prefeito ainda determinou a realização de uma auditoria sobre a contratação de organizações sociais que administram hospitais municipais.

Educação : Marcelo Crivella determinou a criação de planos para colocar 50% dos alunos dos primeiros anos do ensino municipal em escolas de período integral até 2020 e para realização de parcerias público-privadas para ampliar as vagas em creches.

Transporte : Marcelo Crivella suspendeu o processo de racionalização das linhas de ônibus iniciado no governo Paes. Também determinou que a Secretaria de Transporte faça um diagnóstico do funcionamento dos corredores de BRTs e converse com o governo estadual para que seja possível a utilização do bilhete único municipal nos trens e metrô, administrados pelo Estado. O prefeito também pediu estudos sobre uma licitação para o transporte de vans na zona oeste do Rio. Marcelo Crivella ainda isentou motocicletas do pedágio para o uso da Linha Amarela e pediu estudos sobre construção de bicicletários.

Meio Ambiente : Marcelo Crivella determinou estudos sobre a construção de um novo parque na zona oeste, semelhante ao Parque Madureira. Determinou a realização de estudos para uma parceria público-privada para o saneamento de parte da região. Marcelo Crivella solicitou a realização de um inventário sobre a situação de parque e praça e pediu estudos sobre a criação de dois viveiros de plantas no Rio para aumentar a área arborizada da cidade. O prefeito quer analisar a possibilidade de conceder descontos no IPTU sobre imóveis que ajudem na preservação do meio ambiente. Marcelo Crivella também determinou o estudo sobre a realização de uma PPP para iluminação de pontos da cidade.

Maracanã e Teatro Municipal : Marcelo Crivella quer estudos sobre a possibilidade de municipalizar os equipamentos, que são do governo estadual. A municipalização atingiria também o Museu da Imagem e do Som, cuja construção ainda não concluída pelo governo.

Obras : Marcelo Crivella determinou o estudo de controles adicionais sobre obras realizadas no Rio. Crivella também determinou que as ciclovias construídas à beira-mar passem por uma avaliação. No ano passado, a ciclovia Tim Maia desabou após ser atingida por uma onda. Duas pessoas morreram.

Assistência Social : Marcelo Crivella quer que a prefeitura avalie a municipalização dos restaurantes populares do governo, fechados por falta de recursos. Também quer que a prefeitura levante o número de crianças vivendo em situação de extrema pobreza no Rio.

Auditoria da gestão Paes : Marcelo Crivella determinou a revisão dos últimos atos da gestão de Eduardo Paes (PMDB). Isso inclui uma auditoria nas contas da prefeitura e dos últimos contratos firmados. Marcelo Crivella também determinou a realização de uma auditoria das folhas de pagamento da prefeitura. Determinou ainda que a Controladoria do Município analise a transparência de órgãos municipais e verifique a legalidade das contratações feitas sem licitação.

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Re: Notícias e Debates sobre o Rio de Janeiro
MensagemEnviado: 02 Jan 2017, 20:49 
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Alguém ensine pronomes ao autor da matéria.

E hoje num jornal da Record News, citaram brevemente, quase uma manchete, que João Dória e mais de cinco mil prefeitos haviam tomado posse ontem.

Sobre o Crivella, sobrinho do dono da emissora, uma matéria separada e inteira.

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Re: Notícias e Debates sobre o Rio de Janeiro
MensagemEnviado: 03 Jan 2017, 08:55 
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Técnica de lavagem cerebral: 29 menções a ''Marcelo Crivella''. Ele quem? Marcelo Crivella!

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Re: Notícias e Debates sobre o Rio de Janeiro
MensagemEnviado: 03 Jan 2017, 22:06 
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O novo-riquismo cafona de Cabral e Paes chegou até a praia
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Nada nem ninguém poderá barrar o guardanapo de Cabral e sua insaciável turma como símbolo de uma era cafona onde imperou o (mau) gosto emergente expresso naquela cena bizarra, nas cores e traços de Romero Britto e na sola vermelha do sapato da madame.

A ostentação dos novos ricos virou esculacho-ostentação e foi dar em Bangu, onde a escumalha é hóspede do estado. Lá onde a parede sua, como se diz na malandragem, em alusão ao clima saariano do bairro da antiga fábrica de tecidos. No verão mais ainda.

Tamanho deslumbramento e gosto pela bandidagem deixou de ser um simples pecadilho e virou pecado mortal, de vida ou morte, quando a cobiça desconheceu qualquer regra, lei ou respeito ao destruir o Maracanã. Ainda falaremos muito aqui e em breve, nessa humilíssima trincheira, da mãe de todos os pecados de nossos tempos: a destruição do Maracanã. Por hora vamos nos ater a cafonice dos novos ricos, a inexorável marcha para trás dos tempos no rumo da barbárie emergente de Cabral e Paes.

Sim, o alcaide metido a bocudo, a homem sem papas na língua, almofadinha com curso intensivo para ver se pegava duas ou três coisas de malandragem e do que achava ser um jeito carioca, típico janota que vai ao samba e compra elenco de apoio para se dizer local, sambando com os dois dedinhos para cima, também não resistia a sua essência cafona e emergente de deslumbramento entre seus pares.

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Sua administração flertou com isso várias vezes. Mas como tinha ao seu lado e no bolso a maior fatia daquela que chamei aqui da “imprensa de cócoras”, foi passando despercebido em sua volúpia de, no fundo, transformar as coisas boas em uma grande ala vip e deixar o resto da turba no papel de carregador das cordas que isolam a turma do cercado.

Ensaiou no carnaval, transformado por ele em um negócio monstruoso que, como tal, pariu obviamente um monstro, alimentado por finos contratos com cervejaria (em algum momento os termos disso serão revelados). Diante do monstro gerado, um secretariozinho do prefeito apontou para os culpados de sempre: “o problema é que o povo não tem educação, por isso temos problemas”. Fizeram o primeiro teste, teve bloco da Preta Gil com cordas e área vip, fazendo arder décadas de história. A providencial gritaria causou o recuo estratégico. Mas cercaram pelos outros lados.

E o prefeitinho foi botando os pés e mãos na festa de Momo. Como imaginava que só ele era o rei no furdunço, tinha certeza de que os outros eram os bobos da corte. E naturalmente éramos mesmo. Subitamente rasgou elogios naquele 21 de fevereiro de 2012 para a São Clemente. Sua estratégia ia ficando mais clara: “Reparem a São Clemente. É um exemplo de como os recursos à disposição das escolas de samba permitem um grande carnaval. Precisa de gestão profissional, precisa de gente séria. Você está vendo esta escola? Entrou um cara, um superprodutor, o Calainho, que está fazendo um carnaval que está deixando a Beija-Flor com vergonha. Então, mostra que dá para fazer muita coisa com aquilo que é disponibilizado às escolas. A gestão profissional é a transparência de recursos que são aplicados de fato no desfile”, afirmou, sem pudor e respeito.

Logo depois chegava a explicação (e a conta para o contribuinte) daquelas palavras inocentes sobre o produtor amigo do rei: soube-se que a prefeitura tinha pago a L21, do mesmo Calainho, pela produção dos bailes da cidade, a módica quantia de R$ 2,950 milhões (ah, Bangu…). Entre eles o Baile da Cidade e o Grande Baile Gay, no Jockey Club. Para entrar, R$ 100 e R$ 500 reais.

Num arroubo típico de quem é da corte do rei e sabe que não existem limites para quem está à mesa do monarca, Calainho, bafejado pela ascensão a novo promoter da festa na cidade, deu o passo a mais que essa turma sempre dá nessas horas. Fruto dessa falta de limite, por esse eterno se sentir acima do bem e do mal. E das leis. Sonhou alto, e rasgou em seus devaneios toda uma história de baianas, pretas-velhas, malandros, blocos de sujo, Zé Pereiras, Praça XI, Rio Branco, Intendente Magalhães, compositores e poetas, daquela turma para qual acaba tudo na quarta-feira de cinzas. Desconheceu toda uma história e tradições para ver os cifrões. E comparou o incomparável, aquilo que Joãozinho chamou de ópera de rua, para imaginar padronizado, pasteurizado e industrializado: “O desfile do Rio tem condição de se transformar numa franquia internacional, como é o Cirque du Soleil”. Leia de novo, ele falou isso mesmo.

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Foi avançando o prefeitinho. Do carnaval chegou até a praia. Sempre seguindo o mesmo discurso pronto para seduzir os mesmos incautos de sempre: ordem e progresso. Choque de ordem. Como faltou a algumas aulas em seu intensivo de malandragem, vira e mexe derrapa. Bota as desculpas da derrapada no “excesso de carioquismo”, envergonhando São Sebastião e seus devotos. Entre as aulas que faltou, o mauricinho perdeu aquela do mate em galão, instituição da cidade. E mandou ripar a turma que veste laranja nas areias. De novo a grita foi grande. Deve ter perguntado a Pedro Paulo, o fiel escudeiro, porque ele não passou o ponto daquela aula. E nessa rotina de testar limites e ver até onde podia ir, foi pra cima dos barraqueiros da areia. Não é possível que tivesse faltado logo naquela aula. Logo os barraqueiros. Que todo carioca da praia tem um como anjo da guarda. O que olha a carteira enquanto vai no mar, o chinelo, aquele que ainda deixa pagar amanhã. Que muitas vezes vira amigo, troca ideias… Com efeito… Logo essa aula no intensivo de Zé Carioca, prefeitinho? Deu ruim na repercussão de novo e não deu pra tocar nos barraqueiros. Do contrário, hoje provavelmente teríamos uma sequencia de Fasanos, Geros e barracas gourmets encarapitadas na areia. Quem duvida? Nessa direção, chegaram a rascunhar um “Beach Club”, um pedaço de areia ali no cercado de área militar do posto seis, onde entrava-se pagando para ouvir música eletrônica e tomar champagne na praia. Novamente houve o rechaço para que o Rio jamais fosse um desfile jurereniano ou miami-beachiano de homens com gel na praia a côté de turbinados silicones foi grande e não emplacaram.

Mas antes de sair, ao apagar das luzes, deixou a perversa herança de quem se vestia de carioca de cursinho intensivo de dia e de noite fazia da cidade plataforma de “business”. Sempre com os amigos do rei. Sempre na contramão da história da cidade. Sempre com traços indeléveis da mais profunda cafonice e mal gosto.

Foi assim que de uns meses pra cá mudou a paisagem da praia do Leblon. No lugar do sagrado encontro nas areias, onde a cidade, ainda que com frágeis amarras exercita alguma pluralidade e asfalto pode se encontrar com morro, plantou um medonho templo de consumo à beira-mar. Bem no lugar onde a turma lá do Jacaré costuma ir, mesmo que agora tenha uma revista no ônibus durante o percurso. Um bantustão ao contrário: do lado de dentro os brancos, de fora os negros, salvo aqueles que estiverem servindo. E a cena é chocante, ostensiva, remetendo a uma África dos tempos de apartheid: um batalhão de seguranças enfileirados zelando pelos poucos privilegiados. Em plena praia. Uma aberração sem precedentes na urbe, quebrando toda e qualquer tentativa de diversidade. Rumando em marcha acelerada ao século XIX, para o qual só falta uma liteira adentrando o espaço com alguns negros carregando a sinhá. Um desses “territórios exclusivos” já está lá. Outro se abre em poucos dias. Nos tapumes, o anúncio que ofende uma tradição de cidade revela o que vem por aí: “Bar de ostras, …lagosta…champagne..vinho branco gelado…jarras de drinks…música boa, areia, sol, mar e…verão”. É a Valmarchiorização de São Sebastião andando em passos largos.

Por um momento, imaginei estar passando por Orlando ou cafonice que o valha. Jamais na São Sebastião do Rio de Janeiro que aprendi a amar. De Noel, Cartola, Pixinguinha, Aldir, Monarco, Monsueto, Cachaça, Sargento, Vinícius e tantos outros.

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Na era em que as principais capitais do mundo zelam pela certeza de que moderno é a mistura, Berlim, Toronto, Nova Iorque, Paris, Londres, tentam cada dia mais liquidificar tudo, nossa caricatura de Zé Carioca deixa de herança um enclave onde água e azeite jamais se encontrarão. Deixando no ar a tensão que já se faz presente. De um lado, a turma que atravessa o túnel e não pode mais se sentar para a sonhada cerveja. Dentro de parte do cercado vip, gente pagando mil reais (!) para estar no protetorado. É isso mesmo: há um chiqueiro vip onde, como deu no jornal, a reserva de lugar custa mil reais de consumo. E como nunca se viu por aqui, estouram champagne na areia.

Como todo amigo do rei sem limites, como já fora no Maracanã e em outros lugares, pouco importa a paisagem. Chegaram a botar um gerador com um tanque de óleo diesel em plena calçada, um monstrengo impensável fazendo a paisagem da orla parecer uma cozinha industrial. Milhares feridos em seus direitos para o deleite de meia dúzia. Ficou meses por lá, retirado apenas na semana que passou. Como sempre fazem, nessa dialética de testar e ver o que acontece, ver se cola, chegaram a enfiar um banheiro químico em pleno calçadão. Tiraram para não chamar muito a atenção. Quem sabe daqui a pouco… Não bastasse isso tudo, com a tal certeza de que podem tudo, romperam com uma tradição de anos da cidade, em que ninguém jamais combinou mas nunca se rompeu: em tempo algum, nenhum dono de quiosque ou barraqueiro ousou desrespeitar o direito individual de cada um botando caixas de som e música alta. Agora temos isso no tal curral vip. É mais uma certeza da tal exclusividade, de poder tudo. Afinal, imaginem se todos resolverem fazer o mesmo? Séculos de tradição se quebram na herança cafona que fica. Outro fato inimaginável e inacreditável: os limites do tal lugar se ampliaram da calçada para o trecho de areia em frente, que também agora é do amigo do rei. Nunca houve isso por aqui: mesas com cadeiras na areia. Tudo dominado.

Difícil entender como não enxergam o quão gerador de tensão para a cidade algo assim representa. O que era cidade-partida entre morro e asfalto vai se partindo também em um dos poucos lugares onde podiam se encontrar. E seguem rumando desabaladamente ao século XIX.

Infelizmente, não é gente chegada a muita literatura essa turma emergente. Se fossem, iria recomendar bravamente o imperdível “A Invenção de Copacabana”, de Julia O’Donnell. Está tudo ali. Para esses pobres moços que acreditam que promovem a modernidade, a explicação de como caminham para as trevas, como rumam retrocesso de dois séculos.

Está lá o triste retrato dos “aristocratas do Atlântico Ocidental”, aqueles que acreditavam que tinham mais direito ao mar e a orla porque “nem todos são como nós”. Um retrato pungente do que é a longa duração e a permanência dos hábitos de um país em que alguns seguem empenhados para que senzala e casa grande permaneçam vivas.

Sem muito se estender, valem brevíssimos trechos da obra que relata o imaginário de uma elite de mais de um século atrás que teima em seguir mais vivo do que nunca. Cada palavra parece e poderia estar sendo dita por alguns hoje. “…temos o direito de exigir para nós também carinhos que não se prodigalizam, porque nem todos são como nós”. Por carinhos exigidos, entenda-se o bantustão ao contrário, a garantia do apartheid à beira-mar. No relato da autora, a descrição daqueles que “tentavam fazer da região atlântica a base de um projeto específico de distinção”. Nesse Brasil da iminente cassação de todos os direitos conquistados há décadas e que parece pronto para aprovar a revogação da Lei Áurea, o projeto da nova orla do alcaide que saiu ganha tons definitivos.

Seria cômico se não fosse dolorosamente trágico reler o trecho em que a autora conta sobre a chegada do bonde na zona sul, abrindo a possibilidade de levar o povo do subúrbio até a praia. Qualquer semelhança com os relatos das tentativas atuais em se barrar a chegada dos ônibus além-túnel é uma trágica coincidência. Estamos falando de 1870. Mas podia ser 2017. “O novo meio de transporte enfrentou a resistência de certos setores da elite, como grupos de senhoras que condenavam a inevitável mistura de ‘gente do povo’ com ‘pessoas de hábitos educados”. Meu deus! Um século e meio se passou e a frase parece dita hoje…A cada verão em que vejo a frase do século passado repetida, me assusto profundamente com essa casa grande que insiste em não sair de cena. Essa presença tão forte da profecia de Nabuco, “a escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional”. Será que isso por si só não deveria significar reflexão profunda, a certeza de que vamos caminhando rumo ao abismo, ao fracasso?

Nossa tragédia cotidiana, entre tantas, é não perceber o quanto não avançamos, o quanto alguns, embora se arvorem em tão civilizados e modernos, não são nada além do que cabeças do século XIX.

Se vale como único consolo dessa tragédia, é que um já não pode botar seu guardanapo na cabeça à beira-mar no bantustão que sonhou. E outros podem estar a caminho de um Bangu que tanto quiseram fora de suas vistas. Desde a virada do ano já não há mais foro privilegiado.



Ps- Uma última palavra sobre o rei (posto), seus amigos e o bantustão ao contrário: no dia da inauguração, nem tem tanto tempo assim, Sérgio Cabral Filho estava lá. Brindando no tal chiqueiro-vip. Prova irrefutável da cafonice. Provavelmente a última aparição em público antes de virar um hóspede do estado. Há registro fotográfico da presença dele ali. Não sei se chegou a usar o banheiro químico do calçadão. Confortável não é, mas ainda assim é melhor do que o boi de Bangu.

Agência SportLight/Lúcio de Castro

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Re: Notícias e Debates sobre o Rio de Janeiro
MensagemEnviado: 12 Jan 2017, 03:57 
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Rio de Janeiro ou Alepo?

PMs ficam feridos após explosão de granada jogada por bandidos na Vila Cruzeiro
Rio - Três policiais ficaram feridos após a explosão de uma granada lançada por traficantes na Favela Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio. Os PMs estavam em confronto no momento do ataque dos criminosos que ainda atuam na comunidade, que conta com uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) desde agosto de 2012.

Os três policiais foram atingidos durante um confronto na localidade conhecida como "Quatro Bicas". Eles foram socorridos e levados para o Hospital Getúlio Vargas, na Penha.

De acordo com a UPP, um deles está sendo operado na unidade com ferimento grave na perna por conta da explosão do artefato. Os outros dois sofreram ferimentos leves dos estilhaços da granada. A polícia realiza buscas na tentativa de localizar os suspeitos do crime.



http://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/20 ... zeiro.html


Só de pesquisar sobre este caso, já vi outros trocentos de bala perdida. O tira teve a perna amputada.

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Re: Notícias e Debates sobre o Rio de Janeiro
MensagemEnviado: 17 Jan 2017, 15:16 
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Já que o tópico sobre a Rio 2016 está fechado, vou postando algo a respeito aqui (acho mais adequado que tópico sobre estádios).

Passou hoje no Globo Esporte uma reportagem sobre a situação das instalações olímpicas e o legado delas 4 meses depois dos jogos. Estão em estado de abandono. Ainda não encontrei tal notícia nos portais.

Se tratando da atual situação daqui (município, estado, país, seja o que for), já era esperado que isso acontecesse. -_-


E ontem teve reportagem sobre a situação de abandono das Vilas Olímpicas do município, com destaque a daqui desse bairro, onde tenho observado ultimamente.

E como fica a inclusão do esporte para todos, depois de tudo isso? :triste:

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Re: Notícias e Debates sobre o Rio de Janeiro
MensagemEnviado: 17 Jan 2017, 16:02 
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O legado de merda já era garantia desde a Copa. A maioria das sedes, se não todas, não tiveram as promessas cumpridas. Cuiabá, por exemplo, está às traças.

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Re: Notícias e Debates sobre o Rio de Janeiro
MensagemEnviado: 17 Jan 2017, 23:57 
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Querem vender essas merdas todas a preço de banana, mas ninguém quer comprar.

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Re: Notícias e Debates sobre o Rio de Janeiro
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Sim. No caso da Copa, não vi necessidade na construção dos estádios em áreas menos relevantes, como a de Cuiabá ou de Manaus. Como o objetivo desses caras foi trazer a competição pra todas as regiões do país, podia dar nisso.

E sobre isso de vender as instalações, é comum de ver. Essas organizações, empreteiras e tudo o mais ficam nesse eterno empurra-empurra pra não querer pagar o pato mais tarde. E as instalações acabam no abandono com essa enrolação toda.

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Re: Notícias e Debates sobre o Rio de Janeiro
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Já não existe legado suficiente quando tem que se mandar jogos num estádio sem meio de transporte de massa suficiente - o Estádio Luso-Brasileiro.

_________________
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Títulos e posições de destaque:

1º em A Fazenda do Fórum Chaves 4 :campeao:
1º no Foot Betting 2015 :campeao:
1º na eleição de usuário do mês - dezembro/2015 :campeao:
1º na eleição de usuário do mês - setembro/2016 :campeao:
1º no Torneio GUF 19 - Série A :campeao:
2º na eleição de usuário do mês - agosto/2012 :vice:
2º na eleição de usuário do mês - outubro/2013
2º no XIV Concurso de Piadas
2º no Trivia Fórum Chaves 3
2º na A Casa do Chavesmaníacos 14
3º na eleição de usuário do mês - setembro/2013 :terceiro:
3º no Torneio GUF Série B 14
3º na eleição de usuário do mês - outubro/2015
3º no Torneio GUF Série A 18
3º na eleição de usuário do mês - janeiro/2016
3º na eleição de usuário de 2016
4º na III A Fazenda do Fórum Chaves Imagem
4º na eleição de usuário do mês - abril/2015
4º na eleição de usuário do mês - novembro/2015


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