Livros

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Re: Livros

Mensagem por E.R » 28 Mar 2020, 23:30

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/m ... ores.shtml

É certo que editoras enfrentarão tempos duros enquanto livrarias não conseguirem normalizar seus pagamentos, mas há outro elo da cadeia prejudicado com a crise trazida pelo novo coronavírus - os escritores.

É claro que a queda ou o não pagamento pelas vendas de livros os afeta, mas a maior parte deles já não vivia de direitos autorais de todo modo.

O principal golpe nas contas de quem escreve ficção vem de outro lado - o cancelamento de palestras, oficinas e feiras literárias, de onde muitos tiram seu sustento.

Entre os eventos já adiados, por exemplo, estão a Feira do Livro de Ribeirão Preto, que foi para dezembro, e a Flipoços, que foi para agosto.

Alguns tiveram oficinas transformadas em cursos online, mas também há cancelamentos.

Houve ainda o fechamento das unidades do Sesc em São Paulo, cujo circuito reunia diversas atividades literárias, sem falar nas viagens que autores costumam fazer para unidades de outros estados.

"Parece-me que os escritores são o substrato, o lastro essencial [do mercado], mas não são beneficiados em quase nada", diz o escritor Joca Reiners Terron, que teve dois eventos cancelados.
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Re: Livros

Mensagem por E.R » 29 Mar 2020, 12:32

O GLOBO

Após meia década de crise, o mercado editorial brasileiro deve enfrentar em 2020 o seu pior ano, segundo as estimativas de livrarias e editoras de diferentes portes.

Todas elas têm sofrido com a queda nas vendas — em alguns casos superiores a 90% — em decorrência do fechamento das livrarias e da expectativa de uma nova recessão econômica diante da pandemia do coronavírus.

A queda nas vendas e a falta de perspectiva econômica puseram em lados opostos parte dos livreiros e dos editores.

Na quarta-feira, o grupo Juntos pelo Livro, que reúne 102 editoras, publicou uma carta aberta em resposta aos “comunicados de diversas redes de livrarias e distribuidores nos últimos dias, informando-nos unilateralmente sobre suspensões de pagamentos por tempo indeterminado”.

Entre as livrarias citadas pelo site “PublishNews” estavam Livraria da Vila, Blooks e Leonardo Da Vinci, além das redes Saraiva e Cultura, em recuperação judicial.

Segundo Luiz Fernando Emediato, dono da Geração Editorial, a carta pública foi decidida após uma reunião de emergência feita no domingo.

O editor afirma que a intenção das editoras signatárias é receber os valores referentes às vendas realizadas antes do fechamento das lojas :

— Até março eles têm que pagar, porque receberam. De agora em diante nós vamos negociar. Não se pode admitir é um e-mail avisando “por causa da pandemia vamos suspender os pagamentos”.

A carta pública — e a citação das livrarias — incomodou parte dos livreiros.
— Me parece equivocado colocar livrarias pequenas no mesmo balaio de grandes redes devedoras ou empresas com capacidade financeira. A Da Vinci, especificamente, pediu apenas uma coisa : que seus atrasos no pagamento não fossem protestados tendo em vista uma situação inédita na história — afirma Daniel Louzada, dono da Da Vinci.

Presente em cinemas de rua, a Blooks está com cinco de suas seis lojas fechadas desde o sábado retrasado. No final da semana passada, sua loja no shopping Frei Caneca, em São Paulo, também fechou. A proprietária, Elisa Ventura, afirma que seu faturamento caiu a zero nas duas últimas semanas.

Samuel Seibel, presidente da Livraria da Vila, afirmou que “em nenhum momento falamos em suspensão de pagamento” :
—Temos feito contato com nossos fornecedores para tratar de reprogramação destes pagamentos. Sempre fomos e continuaremos a ser parceiros das editoras.

O cenário não é melhor para outras livrarias, como a Argumento, do Rio de Janeiro. Com as duas lojas fechadas — no Leblon e na Barra da Tijuca — a livraria tem realizado vendas de livros pedidos via WhatsApp.
— Realizamos mais ou menos 10 vendas por dia. Cada venda tem sido de 5 a 8 livros — afirma Marcus Gasparian, um dos sócios da Argumento; o número representa 10% de seu faturamento anterior.

A Livraria da Travessa está fechada desde a quinta-feira, mantendo apenas o site, responsável por 15% de suas vendas, em funcionamento.

Nesse contexto, a Amazon Brasil enviou, na quarta-feira, um e-mail a uma série de editoras estabelecendo uma taxa “Covid-19” com uma nova tabela de descontos pelo pagamento antecipado dos livros adquiridos das editoras. Até então, a varejista descontava de 2% a 8% do valor a ser pago às editoras, conforme a quantidade de dias antecipados. Agora, propõe taxas que vão de 0,5% a 2% “por tempo indeterminado”.

A Companhia das Letras pretende dar auxílio aos pequenos livreiros, recebendo pedidos de livros e remetendo-os aos clientes. O grupo anunciou neste mês o cancelamento de todos os lançamentos previstos para o mês de abril e trabalha na expectativa de cancelar também os de maio.

Ontem, o Sindicado Nacional dos Editores de Livros (Snel), a Associação Brasileira de Livrarias (ANL), a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e a Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares (Abrelivros) enviaram, em conjunto, ofícios ao ministro da Economia, Paulo Guedes, e ao presidente do BNDES, Gustavo Montezano, solicitando medidas de auxílio ao setor.

Entre os pedidos de livreiros e editores, estão a abertura de linhas de crédito em bancos públicos, a prorrogação do pagamento de impostos por 180 dias e a manutenção dos programas governamentais de aquisição de livros.
— O BNDES já sinalizou linhas de créditos para micro, pequenas e médias empresas. Precisamos buscar crédito e financiamento — diz Marcos Pereira, editor da Sextante e presidente do Snel.
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Re: Livros

Mensagem por helenaldo » 30 Mar 2020, 00:15

Não sei se aqui é o tópico certo para divulgar, mas comecei a escrever contos recentemente, e postei um no wattpad, quem quiser e gostar está convidado a ler, se chama 20 anos em 20: https://www.wattpad.com/856150494-20-anos-em-20

Sinopse: O que você faria se pudesse voltar ao passado e consertar um erro que cometeu? Acompanhe a aventura de Heitor, um homem que aceitou participar de uma experiencia de seu amigo cientista, e voltou 20 anos em suas memorias para reviver o dia mais marcante da sua vida.
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Re: Livros

Mensagem por E.R » 31 Mar 2020, 12:27

ANCELMO GOIS - O GLOBO

Lembra-se do paulista Luiz “Thunderbird” Fernando Duarte, 58 anos, um dos “fundadores” da MTV Brasil ?

Lançará sua autobiografia em abril : “Contos de Thunder”, pela Globo Livros.
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Re: Livros

Mensagem por E.R » 01 Abr 2020, 21:06

https://veja.abril.com.br/blog/radar/li ... -em-breve/

A editora Intrínseca se prepara para transformar as lições de economia de Nathalia Rodrigues, a Nath Finanças, em livro.

Nath, que se tornou referência para muita gente ao falar sobre educação financeira e arrebanhou milhares de seguidores no YouTube e no Twitter, quer ampliar seu público.

No livro, que chega às livrarias em breve, ela ensinará o passo a passo para qualquer um conseguir organizar sua vida financeira.
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Re: Livros

Mensagem por Victor235 » 01 Abr 2020, 22:37

E.R escreveu:
ANCELMO GOIS - O GLOBO

Lembra-se do paulista Luiz “Thunderbird” Fernando Duarte, 58 anos, um dos “fundadores” da MTV Brasil ?

Lançará sua autobiografia em abril : “Contos de Thunder”, pela Globo Livros.
Que medo, na primeira linha pensei que se tratasse de mais uma vítima do coronavírus.
Na luta pela mudança da favicon do fórum.

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Re: Livros

Mensagem por E.R » 02 Abr 2020, 09:01

ANCELMO GOIS - O GLOBO

O livro “The great influenza”, de John M. Barry, será lançado no Brasil pela Intrínseca, em maio.

O livro fala sobre a Gripe Espanhola (1918), a maior pandemia do século XX.
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Re: Livros

Mensagem por E.R » 03 Abr 2020, 13:38

https://veja.abril.com.br/blog/radar/re ... livrarias/

A Sextante lança neste mês um título que tem tudo a ver com o momento atual.

“Resiliência”, livro que integra a coleção Harvard Business Review, reúne os melhores artigos da revista sobre as habilidades sociais necessárias para encarar os desafios profissionais.
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Re: Livros

Mensagem por E.R » 04 Abr 2020, 22:44

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/m ... ores.shtml

Com a retração das receitas causada pelo coronavírus, umas das principais demandas do mercado editorial ao governo era a criação de linhas de crédito para setor — e, como dizia CLB na semana passada, que elas possam ser usadas na folha de pagamento.

Como o projeto foi para a frente no BNDES, muitas editoras pequenas e médias se veem agora em uma situação delicada, porque mantêm seus funcionários em regime de pessoa jurídica.

O grupo Juntos pelo Livro, que já havia publicado uma carta cobrando pagamento das livrarias, aliás, se reuniu para escrever um novo documento com demandas, desta vez a ser enviado ao governo e a entidades setoriais.

Entre elas, o pedido de crédito a bancos públicos a juros abaixo do mercado e carência de 12 meses para começar a pagar.
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Re: Livros

Mensagem por E.R » 05 Abr 2020, 21:11

LAURO JARDIM - O GLOBO

Lançada na semana passada nos Estados Unidos, a polêmica autobiografia de Woody Allen vai sair no Brasil.

A Globo Livros venceu o leilão para a compra dos direitos do livro e o lançará no segundo semestre de 2020.
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Re: Livros

Mensagem por E.R » 08 Abr 2020, 07:50

O GLOBO

A epidemia de Covid-19 fez despencar as vendas de livros no Brasil.

Em março, a queda foi de 4,09% em comparação com o mesmo período do ano passado. O declínio de faturamento foi de 4,44%.

Segundo a pesquisa Painel do Varejo de Livros no Brasil, apurada pela Nielsen Bookscan e divulgada pelo SNEL na segunda-feira (6), em março, foram vendidos 2,94 milhões de livros e o setor faturou R$ 134,61 milhões.

A quarentena imposta pela epidemia do novo coronavírus, que obrigou livrarias a fecharem as portas, é apontada como a principal razão para a queda das vendas.

O mercado editorial vinha apresentando sinais de recuperação após uma severa crise que fez o setor encolher 25% entre 2006 e 2018, ano em que as duas principais redes de livrarias do país, a Saraiva e a Cultura, entraram em recuperação judicial.

— O terceiro período (março) já experimenta o impacto da pandemia, e mais uma vez o mercado editorial vê a interrupção da retomada do crescimento em função de um evento alheio — diz Ismael Borges, da Nielsen. — As próximas semanas serão dedicadas a entender o desdobramento da crise mundial.

Marcos Pereira da Veiga, presidente do SNEL, aponta que março começou bem, com aumento de 29% nas vendas do Dia da Mulher em comparação com 2019, mas a queda que houve após o fechamento do comércio foi ainda maior.

— Os números do terceiro trimestre começaram bem, mas a chegada da crise é um motivo de enorme preocupação para o mercado, já que 12ª semana apresentou uma queda de 40% nas vendas —afirma.

— Nossa previsão é que este número deva piorar, pois as lojas físicas estão com faturamento praticamente zerado.

Apesar da queda nas vendas em março, o acumulado do ano é positivo. Entre janeiro e março, foram vendidos 9,58 milhões de livros e o faturamento foi de R$ 471,37 milhões, o que indica crescimento de 2,69% em volume e 1,68% em valor em comparação ao mesmo período de 2019.

Um dos vetores da crise do mercado editorial, a Saraiva enfrenta novo problema : Luis Mario Bilenky, CEO que havia assumido o comando da rede de livrarias em 13 de janeiro, pediu demissão na sexta-feira (3).

A Saraiva terminou 2019 com 73 lojas, 1.832 funcionários e prejuízo líquido de R$ 293 milhões.
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Re: Livros

Mensagem por E.R » 09 Abr 2020, 11:46

ANCELMO GOIS - O GLOBO

Walter Casagrande Jr. vai lançar nova obra pela Globo Livros : “Travessia”, escrito em parceria com Gilvan Ribeiro.

O livro parte do comovente depoimento de Casagrande, na TV, durante a final da Copa da Rússia, em 2018, quando revelou ter passado sóbrio, sem uso de drogas, todo o período da competição.

Narra ainda o surpreendente namoro com Baby do Brasil e a amizade com astros do rock brasileiro como Nando Reis, Kiko Zambianchi, Nasi e os Titãs — e o que eles todos compartilham em comum : a travessia do vício à sobriedade.
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Re: Livros

Mensagem por E.R » 10 Abr 2020, 06:29

https://veja.abril.com.br/economia/port ... obreviver/

Desde a semana passada, a seção de livros mais vendidos de VEJA ilustra um fenômeno sem precedentes na história do mercado editorial brasileiro : pela primeira vez, a venda de títulos em livrarias físicas praticamente desapareceu do levantamento; somente o comércio on-line está representado naquela que tem sido uma bússola dos humores desse setor.

E a tendência é que o movimento não só continue como se aprofunde por semanas (ou meses) a fio. A culpa, claro, é do coronavírus.

Assim como ocorre com a indústria do cinema ou o negócio bilionário dos shows e festivais, a pandemia teve um efeito avassalador sobre a vida de livrarias, editoras e autores.

Nesse caso, porém, o estrago das inevitáveis medidas de restrição social se soma a uma crise crônica que se arrasta no mundo editorial há coisa de cinco anos e ameaça levar de roldão as principais redes do país. O coronavírus surge como um catalisador capaz de acelerar as profundas mudanças no segmento.

Com a quarentena decorrente da Covid-19, as livrarias fecharam suas portas e viram a margem de lucros no setor em geral, que era de aproximadamente 4%, transformar-se em imenso prejuízo.

As primeiras consequências surgiram por volta de 11 de março, quando a OMS declarou que o mundo vivia uma pandemia. A pedido de VEJA, a Yandeh/Bookinfo, empresa de tecnologia que monitora os números desse mercado com base na movimentação na boca do caixa de 250 pontos de venda de livros no país, mediu os efeitos devastadores.

O faturamento desse conjunto de livrarias, que ficava na casa de 13,6 milhões de reais na semana anterior à decretação da pandemia, registrou uma queda dramática de quase 92% na semana de 23 a 29 de março.

Como esperado, o volume de mercadorias vendidas também acompanhou a queda, registrando um tombo de 80% se comparado aos números da semana que precedeu o confinamento.

O recrudescimento da crise piorou a situação de duas redes tradicionais que já viviam dias complicados. Com alguns percalços no caminho, a Cultura e a Saraiva haviam conseguido aprovar seus planos de recuperação judicial no ano passado. A Cultura o fez em abril. Já a Saraiva, em agosto, quando acatou uma das exigências dos credores : o afastamento de Jorge Saraiva Neto do comando da operação. A relação muitas vezes conflituosa entre a maior varejista do mercado livreiro e as editoras esboçava, assim, uma distensão. Mas o frágil equilíbrio foi rompido quando a empresa viu suas 74 operações ser fechadas em todo o país devido à Covid-19. Logo a Saraiva emitiu um comunicado às editoras com teor de calote explícito. “Diante deste cenário de crise sem precedentes e falta de visibilidade das vendas futuras, adotaremos uma medida austera, mas necessária, de suspensão imediata de todos os pagamentos por prazo indefinido”, diz a mensagem, assinada pelo então diretor comercial, Deric Degasperi Guilhen.

Dias depois, a empresa entrou com uma petição na Justiça para revisar seu plano de recuperação. As editoras ficaram ressabiadas. “O varejo em geral procurou as editoras para renegociar os pagamentos. A Saraiva, não”, ressalta Marcos da Veiga Pereira, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e sócio-fundador da editora Sextante. Na sequência do anúncio da suspensão de pagamentos, Luis Mario Bilenky, CEO contratado pela Saraiva em janeiro, pediu demissão — e Deric Guilhen assumiu seu posto.

O coronavírus tornou aguda a necessidade urgente de readequação do setor — na verdade, quase uma imposição darwinista na nova atmosfera dos negócios. Desde meados dos anos 1990, as grandes redes, com Saraiva e Cultura à frente, investiram numa política de expansão desenfreada, inaugurando megastores em shopping centers pelo país afora, pagando aluguéis a peso de ouro. Como, ao mesmo tempo, a ascensão do mercado de vendas on-­line ia dilapidando as vendas em lojas físicas, tal expansão não demorou a se revelar insustentável.

Apesar da frágil situação das duas empresas, a pandemia cria uma condição de exceção para a maioria das companhias que dependem de vendas em pontos físicos. Assim como bancos ou proprietários de imóveis renegociaram seus contratos com comerciantes dos mais variados matizes, os credores também precisam pensar na manutenção do ecossistema, e não apenas nos valores previstos para os próximos três meses. Até por isso mesmo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) editou uma portaria que flexibiliza as regras da recuperação judicial, permitindo uma renegociação em caso de impossibilidade do cumprimento das obrigações. As novas orientações valem para todas as empresas brasileiras que se encontram nessa situação, desde a Saraiva até a Odebrecht — dona do maior plano de reestruturação corporativa do Brasil.

As dificuldades das livrarias são o primeiro e um claro exemplo de como pode ser devastador o efeito dominó que recai sobre todo o setor. “Mesmo com o retorno das atividades, muita gente terá perdido o emprego. As pessoas estarão sem dinheiro e com medo de frequentar lugares fechados. Nós não vamos voltar a vender como antes”, prevê o empresário Alexandre Martins Fontes, que gerencia duas livrarias físicas em São Paulo e a editora que leva seu sobrenome. “Nas últimas três semanas, nosso faturamento total caiu 57%, mas as vendas on-line subiram 23%”, informa ele.

O gigante do varejo digital Amazon surge como o óbvio beneficiado pelo ocaso das livrarias físicas — no conjunto dos 100 principais títulos da lista de Mais Vendidos de VEJA, sua participação no volume total passou de quase 30% para 73% desde o início da pandemia. Entretanto, se examinados com lupa, os números mostram que as vendas da própria Amazon, sob esse mesmo critério, subiram num primeiro momento, mas depois também sofreram queda.

Em decorrência da crise, as editoras tiveram de buscar novos caminhos para se reinventar. Enquanto algumas resolveram apostar em marketplaces, espécie de shoppings virtuais, para mitigar a dependência das grandes livrarias, outras viram os clubes de assinatura como uma oportunidade. Eles ganharam milhares de adeptos e abarcam empresas de diversos tamanhos, como a gaúcha TAG e a Leiturinha, voltada ao público infantil.

Mas editoras como Companhia das Letras, Record e Intrínseca também já fazem parte deste coletivo. Além disso, uma aposta promissora no ambiente virtual são os audiolivros e os chamados instant books, muito utilizados por pessoas que querem devorar uma obra rapidamente.

Para as livrarias, uma visão menos romântica seria a adoção de outro modelo que tem ganhado força em países da Europa : o da impressão sob demanda. “Talvez o futuro da livraria seja tornar-se uma loja de conveniência, com a impressão no ato. Mas eu ainda a vejo com uma função de extrema importância, de um encontro com a civilização”, afirma Bernardo Gurbanov, presidente da Associação Nacional de Livrarias (ANL). Que o drama circunstancial do coronavírus traga luzes a esse setor tão essencial.
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Re: Livros

Mensagem por Cattelo » 10 Abr 2020, 16:41

Tá. E os preços baixaram nas livrarias online? Não baixaram, pourra.

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Re: Livros

Mensagem por Victor235 » 11 Abr 2020, 02:30

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(via Mickey # 510, de março de 1992)
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