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Fórum Chaves entrevista Carlos Seidl, dublador do Seu Madruga

Se o Seu Madruga é tão amado no Brasil, muito disso se deve a uma pessoa: Carlos Seidl. O dublador carioca foi a voz dos personagens de Ramón Valdés por 28 anos, tendo atuado nas séries clássicas na Maga, nos DVDs da Amazonas Filmes e no Chaves Animado. Até hoje, ele é celebrado pelos fãs que amam Madruguinha e, nos eventos CH, é sempre um dos mais requisitados. Para comemorar os 90 anos de nascimento de Ramón Valdés, o Fórum Chaves entrevistou com exclusividade Carlos Seidl, que falou um pouco de sua relação com o personagem:

Como o personagem Seu Madruga chegou até o senhor?
Eu trabalhava no estúdio de dublagem do SBT e o diretor Marcelo Gastaldi me chamou para dublar o personagem Don Ramon no “piloto” de uma série nova que a emissora havia comprado do México. Quando a série foi aprovada, o Marcelo adaptou os nomes de alguns personagens, como a Chilindrina que virou Chiquinha e Don Ramon que virou Seu Madruga.

Qual foi sua primeira impressão do personagem, no começo da dublagem?
A série, para quem via pela primeira vez, parecia muito tosca perto dos padrões das nossas novelas e programas, porém logo percebemos na ingenuidade das personagens um diferencial de nossos programas e o talento de Ramón Valdés para o humor já havia sido alertado pelo Marcelo quando deu as diretrizes do personagem. Procurei captar seu tipo de humor e reproduzi-lo à minha maneira, da melhor forma possível.

O que o senhor destacaria na atuação de Ramón Valdés? 
O seu tempo de comédia, que é fantástico. Ele sabia tirar proveito de todas as situações e usou e abusou de seu carisma pessoal e de suas expressões fortes.

Tem algum episódio ou momento marcante de “Chaves” ou do personagem Seu Madruga na série, para o senhor?
Todos os bordões foram muito bem adaptados e sempre funcionam, tanto que sempre que surge alguma brincadeira entre pessoas que assistem a série, eles são citados. Alguns episódios como o de Acapulco são mais lembrados. Para mim, os episódios em que o Seu Madruga está nos studios de Hollywood e fala dos filmes antigos e de velhos atores é muito emocionante, pena que quase não passam esses episódios.

Quase todos os fãs apontam o Seu Madruga como personagem preferido em “Chaves”. A que o senhor atribui essa idolatria do público para com o Seu Madruga?
Dentro da série, sem dúvida é o mais carismático, não só pelo personagem em si, que provoca uma certa solidariedade porque está sempre tentando fazer o melhor, nem sempre da melhor maneira e acaba se dando mal, está sempre apanhando da dona Florinda, mas pelo carisma do próprio ator.

O senhor é sempre uma das presenças mais celebradas em eventos que reúnem dubladores. Como o senhor se sente hoje, tão celebrado pelos fãs, por ser o dublador do Seu Madruga?
É muito gratificante sem contar que é uma surpresa ter esse reconhecimento tantos anos depois de ter realizado esse trabalho. É sem dúvida fruto da comunicação entre as pessoas através da internet.

Em 2012, quando o SBT adquiriu o novo lote de episódios de Chaves para dublar, o senhor não aceitou o contrato proposto e deixou o personagem. Como foi deixar de ser a voz de um personagem tão marcante quanto o Seu Madruga?
É lamentável que se tenha que tomar uma atitude tão radical, indo contra a própria vontade para fazer respeitarem seu direito. O direito autoral, segundo a lei e o bom senso é sagrado, intransferível e inalienável e é devido a cada apresentação da obra, pois ali está, e os espectadores reconhecem, além da voz dizendo palavras, um bem imaterial que agrega um valor artístico à obra e isso apesar de não poder ser medido, tem que ser remunerado.

O que significa hoje o Seu Madruga em sua vida?
Na minha vida particular, devo dizer que ajuda muito pelo fato de ser eu uma pessoa tímida, essa identificação com meu trabalho me facilita a comunicação com as pessoas. A nível profissional, tive vários convites de trabalhos pelo fato de ter dublado o seu Madruga, como Adorável Psicose na Multishow, Porta dos Fundos e os trabalhos na Rede Record.

O que o senhor diria a Ramón Valdés, se ele estivesse vivo e o senhor pudesse encontrá-lo?
Além de agradecer muito o presente que é esse personagem que ele me deu, teria que transmitir minha admiração pelo seu talento.

Discuta este assunto com outros fãs no tópico no Fórum Chaves!

Texto e entrevista: Antonio Felipe

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